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30 January 2009 @ 03:36 pm
[Paródia] EDITADO: O Curioso Caso de... Forrest Gump?  
Detesto voltar a assunto imediatamente após comentá-lo (ver postagem anterior), ainda mais quando tem tanta coisa nova a mostrar (esses dias mesmo comprei mais um número de Fábulas e a minisérie em quadrinhos Marvel 1602), mas não dava pra deixar essa passar.

Até ontem, este post tinha um vídeo que colocava lado a lado cenas e falas dos filmes O Curioso Caso de Benjamin Button e Forrest Gump. Tinha sido publicado no site Funny Videos, no YouTube (óbvio), e o descobri no blog Work for Food.
Porém, a Paramount Pictures, produtora do filme, achou por bem mandar retirar do ar (o que, aliás, considero uma confissão de culpa), e os dois sites de compartilhamento de vídeo tiveram que cumprir.

Então, na falta do vídeo, eis um texto que substitui a paródia até de maneira mais clara. Vamos lá: que filme é esse?

Um homem branco nasce sem pai no sul [dos EUA], com deficiências de nascença que levam muita gente a achar que ele nunca mais andará ou viverá uma vida normal. A sua santa mãe acredita no potencial dele assim mesmo. Ainda jovem, o homem aprende a andar e larga os seus instrumentos de auxílio na locomoção. Por volta desta época, ele também conhece o amor da sua vida, uma garota esperta que cresce e se torna uma mulher ousada, que deixa o homem para trás para viver as suas próprias aventuras desvairadas. Enquanto isso, o homem atinge a maturidade e passa um período no serviço militar americano.

Durante este período, o homem parece ser, a princípio, um membro apático; porém, na sua primeira luta, ele se prova bastante valioso, salvando o dia sozinho enquanto testemunha a morte de um de seus melhores amigos. O homem também passa bastante tempo em uma pequena nau, trabalhando ao lado de um marinheiro beberrão, resmungão e rude. Este marinheiro durão é um dos dois melhores amigos do homem; o outro é um negro, o primeiro a ensinar ao homem algumas lições sobre companheirismo antes de partir para sempre.

O nosso homem então viaja ao redor do mundo, com a sua vida esbarrando em momentos históricos de destaque do século XX. Em determinado momento, ele volta para a casa onde passou a sua infância, e a mãe dele morre. Por volta dessa época, o seu amor vitalício retorna das aventuras dela, pronta para se envolver com ele. Durante o pouco tempo juntos, eles concebem uma criança. O casal se separa graças à presumida inabilidade da mulher em tomar conta do homem. Ele não ajuda a criar a criança nos seus primeiros anos, mas faz uma aparição mais tarde na vida dela. A mulher por fim morre na cama devido a uma doença. Os anos finais do homem quase não são mencionados, embora o filme tenha dedicado bastante atenção à sua juventude e meia-idade.

A história inteira discorre repetidamente sobre o tema da incerteza da vida e, em contraste, a percepção de destino ou coincidência. O símbolo do filme para estes temas é um pequeno objeto que vemos pairando estranhamente no ar. Uma estrutura de cenas em que alguém conta a história pontua o filme, assim como a narração pachorrenta em off do personagem principal.

Respostas aceitáveis: O Curioso Caso de Benjamin Button, Forrest Gump.
(Fonte: Scene Stealers, por sua vez retirado de Madeinhead.)

O pior é que ambos os filmes foram escritos pelo mesmo roteirista e são baseados em livros diferentes; teve quem apontasse que o livro de Benjamin Button (na verdade, um conto de Scott Fitzgerald) veio décadas antes do livro que inspirou Forrest Gump. Só que todos os comentários que achei de quem leu o tal conto apontam que Benjamin Button, o filme, diverge e muito do original - e que, basicamente, todas as semelhanças apontadas no texto acima não acontecem no conto. Por exemplo:

As semelhanças [entre os dois filmes] são, em sua maioria, acréscimos feitos pelo senhor Roth [Eric, o roteirista]. O conto não se passa no sul [dos EUA]; Benjamin tem pai (e até mesmo um avô!); em nenhum momento ele vai pra um barco; a mulher dele aparece bem mais tarde na sua vida, e não entra e sai da história; ele trabalha, na verdade, no negócio de ferragens do pai e é muito bom no que faz; e assim por diante...

(Fonte: Scene Stealers, mais uma vez. Procure por um comentário do próprio autor do post, Eric Melin, mais pro final da página.)

Sinceramente? Benjamin Button é o escândalo cultural do ano, senão da década. Não é plágio, e sim uma demonstração tão óbvia de preguiça mental que até mesmo uma parte razoável do grande público está começando a captar isso e espalhar pela internet. Vamos ver no que vai dar.

Nota sobre comentários: Se você pensou em apertar o botão "Comente" só para dizer "Não achei parecido não", repense e vá ver os dois filmes de novo. Não sou irredutível, mas quero argumentos. Temos aí em cima um resumo do roteiro que se aplica verbatim aos dois. Portanto, sem nenhuma espécie de argumento que aponte diferenças factuais nas duas histórias, eu não aprovarei o seu comentário casual só porque você gostou do filme.
 
 
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(Anonymous) on February 11th, 2009 02:25 pm (UTC)
Olha, eu tb achei um pouco parecido com Forrest Gump. Um pouco não, muito. Eu tb achei a atuação de Brad Pitt indigna da indicação ao Oscar, e ele com certeza não ganhará. Todavia, o filme é muito bom, emocionante, e tem na direção de fotografia um brasileiro que assinou a fotografia de Cidade de Deus, e que para mim é o maior diretor de fotografia do mundo. Isso deixa o filme maravilhoso. E a estória é de realismo fantástico, então algumas coisas que vc cita como cópia do Gump na verdade são características do realismo fantástico. Gump então que é cópia de Benjamim, pois seu texto original não é de realismo fantástico. O filme é ótimo como entretenimento, não como obra de arte. E a "velha fórmula de hollywood" está toda escancarada no roteiro, o que torna o filme, como vc disse, previsível. Previsível não é o filme. Previsível é Hollywood. Se até o LOTR eles prejudicaram em nome dessa fórmula... por isso que eu amo a Marvel Productions. Sem entraves da fórmula para prejudicar a obra... abraço, e continuo lendo seus dois blogs.
Ricardo Foureaux
Fabio Sooner[info]fabiosooner on February 11th, 2009 05:10 pm (UTC)
Bom, como eu disse no post anterior, a fotografia é ótima. Se o filme ganhar um Oscar nisso será justo.

Mas desculpe, a questão do gênero eu não compro. Nenhum dos dois roteiros é fiel ao livro que o gerou, e o conto de Fitzgerald veio antes. As semelhanças são puramente de roteiro, e o fato de um ser de um gênero que o outro não é não serve de desculpa para um problema que é de estrutura narrativa e não de intenção final.

O fato é que o roteirista foi preguiçoso e repetiu a mesma estrutura narrativa 10 anos depois.

E esse lance de que Hollywood é previsível também não compro. Sim, em geral eles são, mas não sempre, e isso não é desculpa para repetir a mesma estrutura narrativa em uma história com potencial por si mesma. Não estamos falando de filmes de ação, onde certos clichês são usados porque funcionam.

Não é porque a maioria mija fora da bacia que o roteirista precisa mijar também ;)
Fabio Sooner[info]fabiosooner on February 11th, 2009 05:15 pm (UTC)
Só pra complementar, será que alguém diria que filmes como Clube da Luta, Se7en e Zodíaco são previsíveis? Só pra ficar na filmografia do David Fincher. Todos foram feitos em Hollywood.
(Anonymous) on February 22nd, 2009 06:06 pm (UTC)
Depois de ler os dois posts, eu queria acrescentar duas coisas que agravam a indignação com este filme:
A primeira é, de fato, ter que ouvir e ver por todos os lados as pessoas emocionando-se, querendo ser como eles, enfim, diversas e diversas pessoas profundamente tocadas pelo filme (Claro que se tem que considerar que todo mundo tem um filme que o tocou muito, mas eu definitivamente poderia pensar em escolhas melhores).

A segunda é: a droga do filme simplesmente não tem nada a ver com o conto, e isto apenas o desvalorizou. Muito já se falou sobre a complexidade e a liberdade de ação em traduções intersemióticas, mas de fato, a única coisa em comum nos enredos é um sujeito americano nascer velho rejuvenescer.
Inclusive o que você mencionou sobre expectativas das idades é mais evidente na história original: o Benjamim tem a mentalidade coerente com a idade biológica, então, quando tem seus 10 anos, se sente chateado por ter que agir feito uma criança, quebrar coisas e fazer birra quando preferia estar jogando ou conversando com seu avó, que pensa como ele.

Eu fiquei frustrada em ver o que era um Curioso Caso (como Poe, como Lovecraft) virar uma linda história de amor. O que o torna muito menos valioso do que o Forrest Gump para mim. Nada contra elas, mas o Benjamim poderia ser qualquer pessoa com uma doença degenerativa, ou problema de formação incomum. Não precisava necessariamente ser a pessoa inédita que era, e assim a pedra de toque da unicidade da história se perdeu.


Bom, não que aquele final parecendo comercial do Itaú tenha ajudado muito. O Filme é lindo, sim, mas até aí Herói também é ninguém sai chorando do cinema por isso.
 
 

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