Até ontem, este post tinha um vídeo que colocava lado a lado cenas e falas dos filmes O Curioso Caso de Benjamin Button e Forrest Gump. Tinha sido publicado no site Funny Videos, no YouTube (óbvio), e o descobri no blog Work for Food.
Porém, a Paramount Pictures, produtora do filme, achou por bem mandar retirar do ar (o que, aliás, considero uma confissão de culpa), e os dois sites de compartilhamento de vídeo tiveram que cumprir.
Então, na falta do vídeo, eis um texto que substitui a paródia até de maneira mais clara. Vamos lá: que filme é esse?
Um homem branco nasce sem pai no sul [dos EUA], com deficiências de nascença que levam muita gente a achar que ele nunca mais andará ou viverá uma vida normal. A sua santa mãe acredita no potencial dele assim mesmo. Ainda jovem, o homem aprende a andar e larga os seus instrumentos de auxílio na locomoção. Por volta desta época, ele também conhece o amor da sua vida, uma garota esperta que cresce e se torna uma mulher ousada, que deixa o homem para trás para viver as suas próprias aventuras desvairadas. Enquanto isso, o homem atinge a maturidade e passa um período no serviço militar americano.
Durante este período, o homem parece ser, a princípio, um membro apático; porém, na sua primeira luta, ele se prova bastante valioso, salvando o dia sozinho enquanto testemunha a morte de um de seus melhores amigos. O homem também passa bastante tempo em uma pequena nau, trabalhando ao lado de um marinheiro beberrão, resmungão e rude. Este marinheiro durão é um dos dois melhores amigos do homem; o outro é um negro, o primeiro a ensinar ao homem algumas lições sobre companheirismo antes de partir para sempre.O nosso homem então viaja ao redor do mundo, com a sua vida esbarrando em momentos históricos de destaque do século XX. Em determinado momento, ele volta para a casa onde passou a sua infância, e a mãe dele morre. Por volta dessa época, o seu amor vitalício retorna das aventuras dela, pronta para se envolver com ele. Durante o pouco tempo juntos, eles concebem uma criança. O casal se separa graças à presumida inabilidade da mulher em tomar conta do homem. Ele não ajuda a criar a criança nos seus primeiros anos, mas faz uma aparição mais tarde na vida dela. A mulher por fim morre na cama devido a uma doença. Os anos finais do homem quase não são mencionados, embora o filme tenha dedicado bastante atenção à sua juventude e meia-idade.
Respostas aceitáveis: O Curioso Caso de Benjamin Button, Forrest Gump.
A história inteira discorre repetidamente sobre o tema da incerteza da vida e, em contraste, a percepção de destino ou coincidência. O símbolo do filme para estes temas é um pequeno objeto que vemos pairando estranhamente no ar. Uma estrutura de cenas em que alguém conta a história pontua o filme, assim como a narração pachorrenta em off do personagem principal.
(Fonte: Scene Stealers, por sua vez retirado de Madeinhead.)
O pior é que ambos os filmes foram escritos pelo mesmo roteirista e são baseados em livros diferentes; teve quem apontasse que o livro de Benjamin Button (na verdade, um conto de Scott Fitzgerald) veio décadas antes do livro que inspirou Forrest Gump. Só que todos os comentários que achei de quem leu o tal conto apontam que Benjamin Button, o filme, diverge e muito do original - e que, basicamente, todas as semelhanças apontadas no texto acima não acontecem no conto. Por exemplo:
As semelhanças [entre os dois filmes] são, em sua maioria, acréscimos feitos pelo senhor Roth [Eric, o roteirista]. O conto não se passa no sul [dos EUA]; Benjamin tem pai (e até mesmo um avô!); em nenhum momento ele vai pra um barco; a mulher dele aparece bem mais tarde na sua vida, e não entra e sai da história; ele trabalha, na verdade, no negócio de ferragens do pai e é muito bom no que faz; e assim por diante...
(Fonte: Scene Stealers, mais uma vez. Procure por um comentário do próprio autor do post, Eric Melin, mais pro final da página.)
Sinceramente? Benjamin Button é o escândalo cultural do ano, senão da década. Não é plágio, e sim uma demonstração tão óbvia de preguiça mental que até mesmo uma parte razoável do grande público está começando a captar isso e espalhar pela internet. Vamos ver no que vai dar.
Nota sobre comentários: Se você pensou em apertar o botão "Comente" só para dizer "Não achei parecido não", repense e vá ver os dois filmes de novo. Não sou irredutível, mas quero argumentos. Temos aí em cima um resumo do roteiro que se aplica verbatim aos dois. Portanto, sem nenhuma espécie de argumento que aponte diferenças factuais nas duas histórias, eu não aprovarei o seu comentário casual só porque você gostou do filme.
